Resolvi
começar a treinar a escalada em rocha para ajudar em montanhas mais técnicas.
Procurei um muro de escalada na cidade em outubro, e agora comecei a ir para a
pedra!
Nesse
meio tempo me apresentaram a Márcia, que escala a trocentos anos, desde criança
no Rio de Janeiro, e também estava a procura de uma companhia para a pedra. Era tudo que eu precisava, ficar no muro indoor não tem nada a ver com o que eu quero...
No
sábado, 10, fomos para a primeira incursão...Parque Estadual dos Pirineus, em
Cocalzinho, alí do lado de Pirenópolis, bem conhecida dos brasilienses pela
cultura e pelas cachoeiras.
Apesar
de estarmos na época das chuvas, ela não tá fazendo nenhuma ameaça pra
escalada...bom pra gente praticar o esporte e péssimo para o resto! Daqui a
pouco vamos ter de entrar no racionamento de água!
A
região dos Pirineus é linda. E, temos sombra em várias paredes pela manhã. Chegamos
por volta das 9h e fomos para o complexo onde fica a via Cubanos. Subimos o
morro e montamos a ancoragem para escalar com um top rope. Descemos, e a Márcia
me deu várias orientações sobre a segurança. Escalamos até o crux da via
Cubanos, uma VI-sup (pelo que falaram). Já vi que não há muito consenso sobre
essa questão de graduação da via...em cada canto o povo gradua de acordo com os
parâmetros locais.
Top rope montado na Cubanos.
Descendo, com a segurança da Márcia.
João guiando a Escoliose.
Escalando,
ouvimos algumas vozes, e resolvemos seguir a trilha à esquerda do complexo para
encontrar a galera. Era um grupo de Anápolis. O João, guia e professor da turma
de 6 escaladores, numa aula prática. Povo super simpático, depois se juntaram a
nós e o João guiou mais uma via, a Escoliose, ao lado da Cubanos. Também só fiz até
o crux...
Tentando vencer o crux da Escoliose.
Vista do topo do morro, onde montamos a ancoragem e passamos a corda.
Márcia desmontando tudo, Larissa curtindo o visual, e um candombá florido no meio :)
Hora de aproveitar o visual!
Ficamos
por alí até o sol pegar e a fome apertar. Trocamos contatos, alguns foram tomar
banho de cachoeira, outros para a casa e nós (eu e Márcia) fomos matar a fome
em Pirenópolis!!
Igreja Matriz, muitas histórias...
Aproveitamos
para dar uma volta, curtir as lojinhas, tomar um sorvete e fechar com chave de ouro fotografando o pôr-do-sol no caminho de casa! Foi ótimo!!
Coisa mais linda!!!
Eu saí
de lá com as mãos completamente destruídas! A rocha na região é um quartzito,
cheio de pontas, que pra mim dificultaram muito o contato. Doí e corta a mão L...Como
dizem, ossos do ofício! Para a primeira vez na pedra não foi fácil!
De lá,
já combinamos com a turma de ir para a Fercal, que fica dentro do Distrito Federal
(bem mais perto de casa), no sábado seguinte, ontem, 17!
De
novo, lá pelas 9h já estávamos na pedra, eu, Márcia e João...os outros colegas
debandaram ontem!
Pegamos
um mapa na internet, mas a Márcia e o João já conheciam a região. Deixamos o
carro na entrada de uma fazenda, pagamos R$5,00 e entramos na estrada à
esquerda. Andamos um pouco e já entramos numa trilha cercada de vacas, que leva
a uma subida pela mata que cerca as pedras. Chegamos em um dos complexos do
local.
Entrando na trilha para chegar na pedra...
A via
que escalamos foi a Libélula, acho que uma das primeiras e mais bonitas
chapeletadas na Fercal. Aliás, achei o lugar lindo! A formação rochosa é
completamente diferente dos Pirineus, a rocha é calcárea, bem mais lisa e
escorregadia na parte de baixo. No alto, já aparecem as pontas que detonam a
mão, mas bem menos que o quartzito.
Essa é a parede que tem a Libélula...olha a diferença da rocha! E as raízes entranhadas...
Preparando o equipo, vestindo...
João lá em cima, Márcia quase lá...a parede deve ter uns 22m.
O João
e a Márcia ‘mandaram’ a via. Eu consegui, na segunda tentativa porque parei no crux e fiquei até conseguir passar J! Mas, não mandeia via. Caramba!! Como dizem, bombei total o meu antebraço...Eu
ainda não consigo usar as pernas, e forço muito os braços e as mãos. É isso, devagar vou aprendendo!
João, na segurança lá no topo.
Vista do 'cume' da Libélula.
Parede ao lado do cume...sempre com os pontos pretos nas árvores :)
Ficamos
por alí um bom tempo, depois seguimos, descendo pela esquerda e paramos em
outra parede, onde encontramos mais 2 escaladores de Brasília. Trocamos uma
ideia e depois montamos o top rope para brincar lá. Fizemos 2 vias, bem mais
fáceis que a Libélula, mas não sei os nomes...Enfim, um lugar mais fácil para eu
treinar J!
Na parede mais fácil.
Vista do alto das paredes: tem sempre uns cactos nos esperando!
Adorei
a formação rochosa da Fercal, e a natureza entranhada na rocha. As árvores crescem
no meio das rochas e o cenário me lembra imagens de Angkor Wat. Muito legal! Como nem
tudo são flores...tem bastante abelha na região. E, urubu, nem se fala! Ninhos
e ovinhos e eles lá mirando na gente o tempo todo :D. É a natureza!
No final da via, só alegria!
Eu adorei!!! Nos divertimos, escalamos, não levamos
nenhuma mordida de abelha, nem carreira de vaca, nem cagada de urubu!!!!!!! O máximo ;)
Bom, a
próxima etapa será no Rio, no próximo findi. Agora vamos encarar o granito da
Cidade Maravilhosa! Pelo que me falaram, não tem nada a ver com as experiencias
dos últimos sábados...Vamos lá, aprender e curtir!
Agradeço a Márcia e o João pela paciência, pela companhia, pelo aprendizado!
DICAS:
Talvez
muito óbvias para os escaladores experientes, mas, para os iniciantes como eu,
importantes!
- Os lugares
por aqui têm muitas abelhas, pra quem sabe que tem alergia todo cuidado é
pouco. Depois, é importante alguém ter um antialérgico.
- Água,
repelente e protetor solar nem se fala. Afinal, estamos no mato, expostos, e
mesmo na sombra o bicho pega! Apesar do calor, é interessante ir de calça
comprida para encarar a pedra e a trilha, e levar um tênis adequado, além das
sapatilhas ;)