terça-feira, 1 de julho de 2014

Ferraria, mais uma aventura no Paraná!

A conquista do Ferraria – Serra do Ibitiraquire – PR (28/junho/14)

Como disse meu amigo 'Capitão' Rodrigo, eu encomendei uma montanha punk pra subir na Serra do Mar. Aí tá a classificação dele para o Ferraria:

Categoria: Peso Pesado
Nível de Dificuldade: ( ) Fácil ( ) Médio ( ) Pesado (x) PQP


Olha que coisa mais linda!!! Vista da Pedra do Grito.

O Rodrigo já havia subido o Ferraria outras 2 vezes de bate e volta, e como é 'muito pesado', desta vez, a ideia inicial era acampar. Porém, a previsão do tempo para o fim de semana era das piores: chuvas e trovoadas!!! Com isso, ficamos com o bate e volta mesmo, e eu já fiquei preocupada, porque com chuva a coisa seria ainda pior L!


Ainda no começo da trilha, quando o Rodrigo me mostrou o Taipa (mais ao centro) e o Ferraria (à esquerda)...nosso objetivo do dia!!

Bom, graças a Deus, não choveu!!!! Pegamos uns pingos na volta, mas nada que preocupasse. O toró caiu mesmo quando saímos de lá, na estrada de volta pra Curitiba. Aí já não era problema, a gente queria mesmo era uma chuvinha pra desmaiar na cama :D

Vamos à escalada...
Fui com o 'Capitão' Rodrigo, amigo, líder do Jaguatirica, Grupo de Operações em Montanha, e com o Raffa Galápagos, do grupo Aqui é Heavy. Duas figuras queridas, dois super guias, que cuidaram de mim na trilha J. Conversando com eles vi que em Curitiba há vários grupos independentes, cada um tentando organizar sua 'tribo'. O Rodrigo e o Raffa acabaram de fazer o curso de primeiros socorros para áreas remotas naturais da Wilderness Medical Associates International, e estão sempre se preparando e desbravando novos lugares na serra.



Começamos a subir por volta de 7:40h, o céu meio fechado, mas em princípio nada de chuva. A entrada da trilha fica na Fazenda Paraná, e eles cobram a entrada (R$10 por pessoa). O Ferraria (1.754 m) fica na Serra do Ibitiraquire, onde também fica o Pico Paraná (PP), o mais alto da região sul do Brasil (1.877m), mas, pela frequência sua trilha já é uma 'avenida'.

O início da trilha é bem tranquilo, mas ganhamos altitude rápido. Chegamos na Pedra do Grito em ~40min. De lá já me encantei com a vista, as nuvens abaixo das montanhas, o contorno da cordilheira...muuuito lindo!


Começo da trilha, é a parte mais fácil, e a única parte 'aberta' da trilha.

Seguimos para o morro do Getúlio, fizemos em mais uns 50min. Paramos, comemos, fotografamos, e seguimos. Para chegar no Ferraria é preciso escalar antes o Taipabuçu (Taipa, 1.732m). De lá se tem uma vista privilegiada do complexo do Pico Paraná (PP) de um lado e do Ferraria do outro. É possível mapear praticamente todas as montanhas da serra, e ainda tem a vista das fazendas abaixo e da represa do Capivari, é LINDO!


Vista do cume do Taipabuçu - Taipa...1.732m

Cume do Taipa com o Pico Paraná (PP) ao fundo.

Saindo do cume do Taipa, Ferraria, nosso destino...

Poucas florzinhas pelo caminho.

Vista da represa do Capivari.

Assinando o caderno de cume do Taipa.

Aí estão nossos nomes ;)

Quando o sol saiu....deslumbrante!!!

Olha que coisa mais linda :D

Paramos, comemos, e fizemos várias fotos aproveitando o tempo que estava maravilhoso. Até apareceu um sol para as fotos J, era possível avistar todo o vale quase sem nuvens, o que é muito raro por lá! Depois de curtir bastante iniciamos a nossa descida pela face noroeste do Taipa. Aí o bicho começa a pegar...até o cume eu tinha ido sem luvas, mas depois daí, luvas são acessórios essenciais!

Achei essas fotos fantásticas para mostrar as duas montanhas vistas da trilha do Caratuva: os paredões do Taipa primeiro, e ao fundo o Ferraria. Foto: Filipe Mox.

Aqui, uma foto aérea as duas montanhas. À esquerda o Ferraria e à direita o Taipa. Foto: André Bonacin.

A trilha é muito íngreme, fechada, e para o nosso desespero no final, quando se chega ao colo entre as duas montanhas, em alguns trechos o bambuzal fecha de tal forma que só é possível passar rastejando! Essa parte é F*!!! Depois da descidona, ainda ter de rastejar...a gente se esgota, e aí ainda tem o Ferraria pra subir! J Pura diversão!!


Única bromélia florida...pelo menos que eu vi...

Vai aí um bambu terapia?????

Se tivesse outro jeito...

Descobrimos um problema grave nessa altura do campeonato. Esperávamos encontrar água na descida do Taipa, mas só encontramos um filetizinho, que formava algumas poças com a água quase parada. Resolvemos racionar e deixar para ver como ficaria na volta. Mesmo racionando, na subida do Ferraria eu não tinha mais água e já estava desesperada pra tomar aquela água empoçada de qualquer jeito! Já que o Rodrigo tinha purificador, comecei a contar os minutos pra voltar 'pra água'!

A subida do Ferraria foi tranquila. Tem uns trechos de escalaminhada, um trecho com cordas (não muito confiáveis!), mas tranquilo. Chegamos num 'falso' cume. A montanha tem uma falha no meio, e lá em cima não tem marcações. Aí, meu amigo, quando você olha pro paredão que te espera na volta você entende porque ninguém quer fazer o Ferraria!

Caderno de cume do Ferraria :D

Raffa no cume.

Bão, chegamos no tão esperado cume, fotografamos, comemos (básico!!!), assinamos o caderno de cume e descansamos. A vontade de explorar já não era tão grande, pois o vento estava muito forte e já se percebia o tempo virando. Chegamos no cume por volta de 14:20h. Foram 6:40h para chegar lá, mas num ritmo tranquilo, estávamos bem. Fizemos mais umas fotos pra despedida, vimos a trilha que desce pela face leste da montanha (parece uma boa opção!), nos perdemos um pouco para achar o rumo certo da descida e encaramos o retorno!


Com um pouco de sol ainda, LINDO!

Euzinha no cume! 1.754m.

Raffa, eu, Rodrigo - só para guerreiros!!!

O Rodrigo disse que a gente precisava sair da saroba, quiçaça ou sei lá que nome se dá para aquela mata fechada de bambu ainda no claro. Na verdade, o ideal seria chegar ao cume do Taipa ainda claro...alí, no escuro, a coisa complica...e como o tempo fechou, e a mata fechada já é escura, a gente percebeu que ficaria no breu mais rápido do que a gente imaginava!

PP visto do Ferraria quando o tempo começou a virar.

Aqui é heavy!!!!

Do cume do Ferraria.

Raffa e eu, PP no fundo.

Ainda assim, paramos para fotografar e filosofar sobre as trilhas e o bambu terapia que estávamos fazendo, segundo o Raffa! J

Minha preocupação maior era com a água, eu precisava me hidratar!! Depois da sessão de rastejos a gente começa a subida íngreme, pra nossa felicidade (juro!!). Foram três ascensões no total, a subida do Taipa, a subida do Ferraria (norte) e a subida do Taipa pela face sul! No total, estimo aí uns 1.400 m verticais de subida ;)


Rodrigo pegando água...ufa!

Quando chegamos na água já anoiteceu. Enchemos os reservatórios e seguimos. A trilha é muito mal marcada, e com o mato fechado, é preciso muito cuidado e atenção para garantir não ficar refazendo o caminho. Há fitas de várias cores, pois as 'oficiais' estão longe (bem longe!) de serem suficientes. A gente descobre que quem se atreveu por ali tentou deixar alguma marca pra facilitar a vida, e mesmo assim não é fácil!

Na ida não usamos cordas além das que já estão lançadas em alguns trechos da subida do Ferraria, mas na volta, para chegar ao cume do Taipa, tivemos de usar nossa corda para vencer um desnível de uns ~7m, uma descida já perto do cume. No escuro, o risco de descer sem corda era enorme.

Descendo para retornar ao cume do Taipa.
À noite ficamos bem mais lentos, toda perspectiva muda, e todo o cuidado é pouco. Acho que por volta das 18h já precisamos das lanternas. Chegamos no cume do Taipa, paramos para descansar, comer, beber J, e aí o tempo começou a fechar, começou a pingar, e ainda tínhamos uma longa descida pela frente! A boa notícia é que essa era a parte mais fácil da trilha!


No cume do Taipa...o Ferraria ficou.

Cansados e no escuro, o ritmo caiu bastante, mas, enfim, às 21:50h já estávamos de volta na fazenda, nos refazendo pra pegar a estrada J!

No total, o Rodrigo marcou 14:10h de trilha!! Uma boa pernada pra comemorar na cidade no dia seguinte!

Em princípio, o Rodrigo havia sugerido fazer uma travessia (Vigia-Canal) no domingo, mas, como chegamos em casa por volta de 01:00h, eu não tinha dormido nada na noite anterior e o joelho doía resolvemos curtir a cidade em vez de fazer trilhas de novo.

O Rodrigo e o Raffa passaram boa parte do domingo comigo passeando pela cidade. Fomos nas feirinhas tradicionais, almoçamos por lá, visitamos algumas lojas de montanha, tomamos um café, e à noite fomos comemorar em Santa Felicidade...afinal, todos nós merecemos!!!


Raffa e Rodrigo na feirinha gastronômica...comemos sanduiche de pernil, e depois pinhão com quentão!

Olha aí o pinhão...e o quentão do Raffa com gemada!

Queridos Rodrigo e Raffa, continuo esperando vocês me chamarem para as 'roubadas' que descobrirem por aí ;) Valeu muito mesmo!!!


DICAS:

- Tem várias opções na Serra do Mar/ Ibitiraquire no PR. Em regra, as montanhas da região têm as trilhas demarcadas, mas é preciso conhecer bem a região, saber navegar, ou ir com um guia, pois as marcações, em alguns casos, não são suficientes e é fácil se perder. Segue um compêndio sobre o Ibitiraquire feito pelo Parofes:
http://www.summitpost.org/ibitiraquire-sierra/679828

- A trilha para o Ferraria precisa de mais marcações. Tivemos de ficar bem atentos em vários pontos para não ficar 'dando voltas'. A trilha é bem fechada, e para ir com cargueira para acampar a coisa deve ser complicada...principalmente, nas partes de bambuzal. A minha mochila com os bastões pra fora prendiam em todos os cantos! Com chuva, esquece!! Nem pensar mesmo!!!

- O Rodrigo me passou o tracklog (do Mildo Júnior) com a altimetria da trilha entre o Taipa e o Ferraria. Dá pra ter uma boa ideia da trilha:
http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2681234

- Eu preciso de muita água, devo ter consumido uns 4 litros no total...não dá pra confiar em encontrar água na trilha, e é bom ter um purificador! Esse é um ponto de atenção para a próxima.

- Usei uma bota nova da La Sportiva (Boulder), ela foi bem, mas entrou todo tipo de 'matéria' dentro :). Afinal, ela é cano médio, e como a trilha era fechada o bicho pegou! Bota para os terrenos italianos...vamos ver como ela se sai daqui a um tempo nas montanhas brasileiras.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Trilha Itiquira - Indaiá

Cerrado lindo! (10/maio)

Depois de 2 anos (isso porque é aqui perto!) voltei pra essa trilha, agora fazendo o caminho inverso, subindo Itiquira e seguindo para Indaiá.

Os dias nessa época do ano são absolutamente lindos!! Maio, céu azul, vento friozinho, água gelada, cerrado...perfeito!!!

Calliandra - flor símbolo do cerrado!

Fui com uma amiga de outras viagens, e mais 2 amigos. Todo mundo de boa, eu com o joelho direito bichado, mas deu pra encarar. Aliás, nunca vou pra trilha detonada e nunca me machuquei em trilhas e montanhas por aí...mas, essa aí tem histórias!

Prontos pra trilha...

O joelho bichado me fez descer a trilha, na volta, no maior esforço, praticamente só com a perna esquerda!! Esse joelho já detonou meu treino de maio L, e todo mundo acha que eu consegui essa façanha pegando pesado, mas não, torci numa aula de yoga!!!

Voltando pra trilha...fomos bem, apesar de alguns ‘desvios’ na ida ;). O cara do parque que fica na entrada da trilha, e pede pra assinar um termo de responsabilidade para entrar na pirambeira, disse que o tempo médio para chegar no rio é de 2h. A gente subiu em 10min, e chegamos no rio em mais 30min, parando para fotos, tranquilos...ou seja, 2h é D+++! Depois, a trilha entra num ‘plano’ margeando o rio, com descida/subida só para chegar nas cachoeiras. 

Logo depois da pirambeira...

Primeiro a Véu de Noiva, que eu chamava de Gêmeas (muuuito linda!), e depois a Indaiá. No caminho a gente só encontrou 2 grupos, um de caminhada com poucos colegas, e outro gigante, uma turma inteira de biologia de uma faculdade particular de Brasília. Mas, ficamos sozinhos o tempo todo na trilha.

Tem vários pontos assim na trilha...vale a pena sair cedo e programar mais paradas para aproveitar bem!

Gastamos muito tempo na ida porque fomos pelo lado esquerdo do rio, mas agora já aprendemos a trilha. O esquema é atravessar o rio logo acima da queda (Itiquira), num lugar rasinho, super tranquilo, e seguir sempre desse lado (direita, partindo de Itiquira!). Seguir pelo lado errado do rio é sempre um perrengue porque a trilha vai fechando em vários pontos, e fiz isso nas 2 vezes que estive lá, mesmo partindo de pontos diferentes.

Rio e cerrado.

Véu de noiva, ou Gêmeas ;)

Eu tava lá...

Outra dica é que é melhor partir de Indaiá...não tem controle para entrar na trilha, não tem hora para chegar (o parque de Itiquira fecha às 17h), e é muuuuito mais perto de Brasília do que chegar em Formosa/Parque Municipal de Itiquira (~115km). Essa trilha não tem erro porque é o tempo todo margeando o rio...se se afastar, procura o rio e segue! Saímos umas 9:40h, e voltamos umas 16:40h. Nesse horário já não dava pra comer nada por lá e fomos ‘almoçar’ em Formosa, no Casarão (muuuito bom!!).

Indaiá

A trilha deve ter uns 8/9km ida e volta. Parece pouco, mas isso não é um passeio no parque, que você faz em menos de uma hora! Para mim, que preciso comer toda hora J, sem levar vários lanchinhos e água não rola, mas, aí é com cada um. Bastante protetor solar, e os bastões de caminhada, para os joelhos bichados! No mais, só curtição ;)

168m de queda livre, MUITO linda!


sexta-feira, 25 de abril de 2014

Serras Gerais e Jalapão - TO




Há muuuuito tempo queria ir ao Jalapão e nada de dar certo...nunca queria tirar férias para ir, e nunca achava um pacote que encaixasse em feriados, e assim o tempo passou até esse feriadão da Páscoa + 21 de abril. Juntando tudo tive 6 dias de feriado e consegui um pacote de 6 dias para conhecer as Serras Gerais e o Jalapão. Fui...(16-21/abril).

Estrada de Almas para o Cânion Encantado. Em regra, a vegetação nessa região é um cerrado bem exuberante. Serra Negra.

Cheguei em Palmas por volta de 1:30h (madruga), e na manhã já partimos logo cedo, 8:30h, pegando aí uns 220km de asfalto até Natividade. Nos dois primeiros dias conhecemos um pouco das Serras Gerais, passando por Natividade, Almas, Dianópolis, Rio da Conceição e chegando em Ponte Alta, portal de entrada do Jalapão. Parece muito, e é! Vi que poderíamos ter explorado muito mais do que conseguimos fazer nesses 2 dias!


Ruínas da Igreja de N. Sra. do Rosário dos Pretos.

Fábrica de biscoitos artesanais. São uma delícia!

Em Natividade, uma cidade famosa pela Festa do Divino, visitamos as ruínas de uma catedral chamada Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que data do século XVIII, uma fábrica artesanal de biscoitos (delícia!!), demos uma volta pela cidade, bem bonitinha, estilo colonial, da época da corrida do ouro, almoçamos e seguimos para Almas. Entramos na estrada de verdade! Fiquei surpresa com a beleza da região. A vegetação é bem exuberante, árvores mais altas, muitas veredas, verde pra todo lado, serras, rios.

Do lado do rio, onde encontramos a cobra. O mato é bem fechado.

O primeiro ‘passeio’, após uns 90km de estrada de chão (boa!) foi o Cânion Encantado. Entrando no mato para ver as cachoeiras do cânion o guia pisou numa cobra! Ele não viu, e eu vinha atrás e percebi a bicha – enorme – depois que ela se mexeu com a pisada dele. Avisei da cobra, o guia virou e ficamos os dois olhando pra ela, até que ele gritou pra eu correr...eu não sou medrosa, encaro essas coisas de boa, afinal, ali é a morada dela, e somos os intrusos! Por sorte a cobra deveria estar dormindo, pois ela demorou muito para se armar. Deu tempo de sairmos correndo. Acho que era uma sucuri, mais comum na região.


Do outro lado do Cânion, de onde se pode ver melhor as 4 quedas.

É cada uma mais linda que a outra ;) Essa é a cachoeira da Cortina.

Pendurada numa árvore a vista fica melhor!

A região e cercada por veredas, buritis, e florzinhas...

O lugar é bem deserto, parece muito pouco visitado, e é LINDO!! Ficamos um bom tempo apreciando as cachoeiras do cânion (por outra trilha!). O tempo começou a fechar e saímos para seguir caminho para a Cachoeirinha, que não é tão pequena assim, mas é muito linda. Conseguimos escapar da chuva que caiu, mas quando chegamos lá estava bem frio, o tempo ainda meio fechado e resolvemos não entrar na água. Seguimos para o último passeio do dia, que seria o pôr-do-sol no Arco do Sol. Lindo!! Muito mais bonito que a Pedra Furada. Não tivemos pôr-do-sol, as o tempo colaborou e pudemos curtir bastante por lá também. Seguimos para Dianópolis para jantar e dormir. Para quem pensou que fosse pegar o maior calor no Tocantins, dormi de meia, camisa de manga comprida, e estava frio!
Chuva, depois do Cânion...a caminho da Cachoeirinha.

Cachoeirinha.
Vista da estrada das pedras do Arco do Sol.

Oh eu aí!

Ainda tô lá...

Do outro lado do buraco...

No segundo dia (17), após o café, fomos para a Lagoa Bonita. Caramba! Não dava para acreditar naquele paraíso só pra gente (eu, uma outra guria de Brasília, e o guia)! Ficamos por lá quase 3h. A lagoa é uma nascente e berçário natural de peixes com água transparente e fundo branco, calcário, típico da região. Retornamos para a cidade para almoçar, e depois seguimos para Rio da Conceição para conhecer a cachoeira do Cavalo Queimado, rio Manuel Alves. O lugar é bem legal, mas o rio estava sujo das chuvas e com muito volume. Só fotografamos e seguimos para a Cachoeira da Fumaça. Esses dois passeios, mais perto de cidades, mostram a falta de cuidado da população e dos responsáveis pelos locais. Encontramos muito lixo nos arredores da lagoa e do rio, locais muito frequentados nos fins de semana. 


Lagoa Bonita.

Paraíso :)

Berçário de peixes. Se vc fica quieto, eles não dão sossego!

Cachoeira do Cavalo Queimado. Rio Manuel Alves.

Rio da Fumaça, local onde tomamos banho.

Mais um espetáculo da natureza! A cachoeira é simplesmente linda e fica num lugar maravilhoso. Fiz várias fotos da cachoeira, apreciamos a sua beleza e tomamos banho no rio. Ficamos por lá um bom tempo também e depois pegamos a estrada para Ponte Alta, seguindo para o Jalapão. Na estrada vimos pássaros coloridos, tucanos, araras, e passamos pela região que retornaríamos no dia seguinte. Chegando em Ponte Alta ficamos numa pousada bem simples, mas com um ótimo café, fui à missa de quinta-feira Santa na igrejinha local e fomos descansar. Apesar de ser uma cidade pequena, já dava para perceber o agito que viria com o feriadão no Jalapão. O guia retornou para Palmas para pegar o restante do grupo, que havia fechado o pacote de 4 dias, só para o Jalapão.


Quando vc se aproxima da cachoeira, ainda de carro, é possível ver a fumaça que ela faz!

Cachoeira da Fumaça. Acho que é a mais linda que vimos!

Essa é uma borboleta azul! Fiquei atrás dela esperando ela abrir as asas um tempão, e nada...

Não sei que gavião é esse, mas vimos alguns. A maioria, tem pra todo lado, é o Caracará.

Olha que lagartinha mais bunitinha :)

Mais borboletas...

No dia seguinte, terceiro (18), muita confusão na chegada da galera, eu não esperava, mas era realmente uma galera, no total éramos 29 pessoas!! Tive de trocar de carro, deixar uma caminhonete pequena por uma gigante, com 12 lugares. No total eram 4 caminhonetes, todas traçadas, claro, pois naquelas estradas é fundamental para acessar alguns paraísos.


Cânion Sussuapara.

Sussuapara.

Campo de florzinhas cor-de-rosa...tem pra todo lado!

Depois de muita confusão e falta de quartos na cidade, conseguimos sair para o primeiro passeio do dia por volta de meio dia!! Fomos para o cânion Sussuapara. Neste exploramos por baixo, dentro da água, uma delícia, ao contrário do Cânion Encantado, que só andamos por cima. Em seguida fomos almoçar, e de tarde seguimos pela mesma estrada do dia anterior para conhecer o rio Soninho e a Cachoeira do Soninho. O tempo fechou, conseguimos tirar fotos da cachoeira ainda com o tempo aberto, mas quando seguimos para o local de banho a chuva caiu forte. Mesmo assim, todos entramos no rio, curtimos um pouco e depois entramos no carro para seguir para a Pedra Furada.


Cachoeira do Soninho.

Soninho.

Quando começou a chuva a galera correu pra água...

Os carros deveriam seguir juntos, mas até mesmo para não tumultuar os lugares estávamos um pouco espaçados. Com isso, e com a bagunça do nosso grupo sempre éramos os últimos! A chuva passou, pegamos a estrada, e o carro quebrou, ainda bem perto da cachoeira! Isso mesmo! Quebrou e não tínhamos mais ninguém por perto, era umas 17:30h! Seguimos a pé na estrada e encontramos a transmissão do carro e algumas partes de suas conexões L. Sem chances de resolver a parada sem ajuda! Por sorte, passaram duas caminhonetes que pararam, viram a situação, e ficaram de seguir para a Pedra Furada e pedir ajuda para os demais colegas da empresa.


Carro quebrado! Transmissão na mão...

Eu e mais uma colega resolvemos ficar com o guia e esperar socorro lá. Os demais colegas seguiram na traseira das caminhonetes. Eu achei o máximo ficar ali, no silêncio, só ouvindo os barulhos da natureza, e vendo o anoitecer. O tempo abriu e vimos várias ‘estrelas cadentes’, satélites, Marte, Vênus, e o céu coalhado de estrelas J! Tínhamos um pen drive no carro que ajudou a manter o ânimo, e o socorro chegou por volta de 21h. Um amigo de outra agência trouxe um mecânico com a parafernália necessária para dar um jeito no carro. Seguimos então para a cidade, e o carro ficou na oficina (numa sexta-feira Santa!) para ser consertado durante a noite.

Estrada de areião para a Pedra Furada.

Quando chegamos na cidade a situação da galera sem quarto tinha sido resolvida (depois de muito perrengue!). Jantamos, e combinamos de levantar bem cedo para retornar à Pedra Furada, antes dos passeios agendados para o dia. Ninguém queria perder nada, mas nem todos encararam levantar mais cedo. A região é bem bonita, mas ainda achei o Arco do Sol mais bonito!

No buraco da pedra, com o Morro da Cruz no fundo.

A galera em outro buraco...

No sábado, quarto dia, percebemos claramente um aumento do volume de gente no parque do Jalapão! Esse dia é muuuuito longo, as estradas pioram bastante, e no final eu estava um caco! Pra piorar, não tem lugar pra almoçar na região, e só fizemos um lanche na hora do almoço. O roteiro foi Cachoeira da Velha, no rio Novo, muito famosa, deve ser a maior e de mais volume d’água no Jalapão, curtimos as praias do rio e pegamos a estrada de novo para ver o pôr-do-sol nas famosas dunas!
Cachoeira da Velha, Rio Novo.

Velha...

Prainha do rio, onde tomamos banho.

Estrada de novo!! Caminho para as dunas. É cercado de serras: Jalapinha, Espírito Santo, Morro do Porco.

Veredas e serras cercando as dunas. É muito lindo!

O lugar é um espetáculo, não pelas dunas, mas pelos morros das serras que cercam as dunas! Com a luz do entardecer as cores ficam mais vibrantes, avermelhadas e é um encanto o pôr-do-sol, mesmo com uma superlotação nas dunas! O lugar parece um oásis, com vegetação, água, a Serra do Espírito Santo e morros coloridos em volta. Acho que as fotos podem falar mais que as palavras...foi difícil escolher, tirei trocentas fotos!
Na trilha para subir...

Do alto das dunas, o lugar é um oásis!!!

Com a vista das veredas e das serras...

Luz do pôr-do-sol.

Aí estou eu, tentando fugir da muvuca...

Serra do Espírito Santo. Tudo incendiado pelo astro rei!

Dunas.

Eu, o pôr-do-sol e as erosões da serra ao fundo.

De lá seguimos para Mateiros, a última cidade do percurso. Jantamos e fomos dormir para encarar, depois de um dia superlongo, um amanhecer na Serra do Espírito Santo. Acho que fui dormir por volta de meia noite e levantei 3:30h!!! Saímos às 4:20h para pegar o nascer do sol lá em cima. A subida é tranquila, pelo menos pra mim. O visual lá de cima é maravilhoso!! Acho que seria eleito o mais bonito da viagem pela maioria J. Depois de curtir o amanhecer, fizemos uma trilha de 7km, ida e volta, no platô, para ver as dunas do alto, do outro lado do morro. Muito legal! Descemos, fomos tomar o café da manhã J, e seguimos para os passeios do dia.

Outro espetáculo!!! O nascer do sol na Serra do Espírito Santo. O pôr-do-sol e o nascer do sol nessa região, para mim, são os pontos altos da viagem!

Esperando o astro rei ;)

Olha os primeiros raios...

Maravilhoso!!!

Aproveitei para registrar outros solzinhos que apareceram pelo caminho :)

Solzinho rosa...

Solzinho amarelo :)

Vista do alto da Serra.

As erosões que fotografei das dunas! Aquele triângulo de areia no meio da foto são as dunas!

A galera que fez a trilha: novos colegas de SP e do Rio.

As erosões com o sol batendo...
Na volta, aproveitei para me pendurar em uma pedra ;)

Pra tentar sair fora da muvuca, decidimos conhecer um fervedouro alternativo, poço gigante com nascentes subterrâneas muito fortes que fazem a gente flutuar, um fenômeno chamado ressurgência. A região tem vários fervedouros, e fomos no Buritis. O lugar é absolutamente lindo, um poço de água transparente cercado de vegetação exuberante, muitas bananeiras, e claro, bichos! O fervedouro mais famoso (forte) foi visitado por alguns colegas no final do dia, mas a situação é complicada com muita gente, pois há controle para entrar no máximo 6 pessoas por vez, e podem ficar 20min. O povo espera horas para entrar! No ‘nosso’ fervedouro só tinha a gente e pudemos curtir muuuuito!! ;)


Fervedouro dos Buritis, com chuva, mas sem muvuca!!!

Os poços são pequenos. Em regra, entram 6 por vez...mas, como estávamos sós...12!

Quando a chuva se foi e a natureza ganhou novas cores!

Depois do fervedouro fomos almoçar na comunidade quilombola chamada Mumbuca, onde ficamos conhecendo o trabalho que fazem com o famoso capim dourado. É muito legal ver esse capim na natureza, pois ele é dourado mesmo, não tem nenhum processo artificial para que ele tenha aquela cor dourada.

Almoço na Mumbuca. Vai um pé de frango aí?

De lá seguimos para a Cachoeira da Formiga. Outra belezura da região, águas verde-azuladas, transparentes, lindo o lugar! MAS, a muvuca apareceu forte por lá! L Nem dava vontade de entrar na água de tanta farofa!! Afff, viajar em feriado é F*! Aí, tivemos um outro imprevisto...nas estradinhas de areião, que cabem só um carro, o povo anda que nem doido! Não deu outra, um dos carros da nossa agência, o outro grandão com 12 pessoas, foi batido por um FDP que não parou o carro. Mais um perrengue! Arrumar mecânico, trocar o pneu que estourou, puxar a lataria para que ele rodasse, ouvir os resmungos de todo mundo, e por aí foi. Ainda bem que ninguém se machucou, e que havia uma ‘borracharia’ por perto! Menos mal que o carro ficou em condições de rodar e concluir os passeios no dia seguinte!


Cachoeira da Formiga.

O socorro veio daí. Que tal cama de ar e peneu???

Voltamos para Mateiros, jantamos, comemoramos a aventura e fomos dormir para seguir com o último dia de Jalapão, indo para São Félix! Nesse dia não fizemos todos os passeios previstos, pois o guia achou melhor tentarmos chegar mais cedo em Palmas. Estávamos sempre mais atrasados que os outros grupos, pois tentávamos aproveitar mais os lugares, demorávamos mais para sair das pousadas, etc. Com isso, fomos para o fervedouro do Alecrim, o maior da região, curtimos por lá, depois fomos almoçar em São Félix! Chegamos lá com chuva, que logo passou. Conseguimos fazer uma parada rápida na Cachoeira do Prata, logo após o almoço. Nem entrei na água, pra não ficar molhada no carro depois, e não enrolar na saída. Sabia que a volta seria puxada! Seguimos direto, estrada de chão bem ruim, depois mais 250km de asfalto até Palmas. Acho que esse era mesmo o meu limite para andar naquele carro. Não aguentava mais comer poeira, passar calor e sacudir!! E olha que eu sei bem o que é isso!

Fervedouro do Alecrim. Tb estávamos sozinhos. Esperei a galera sair e então apareceu a marca do fervedouro. Esse é o maior da região.

Uma iguana enorme, amarela e preta. Foto de dentro do fervedouro, ela estava numa palmeira em volta.

Nesse dia, último, é possível fazer um rafting no rio Novo, nível 2, mas eu não achei interessante. Parecia mais um passeio de bote pela região, onde a galera ia pulando no rio para se refrescar. Ninguém do nosso grupo encarou, preferimos conhecer os lugares, e mesmo assim ainda não conseguimos cumprir os passeios previstos no dia. Não conhecemos a comunidade do Prata, e nem paramos para o pôr-do-sol no Morro Vermelho L!
Morros na estrada de volta, região um pouco antes do Morro Vermelho. Não paramos...

Meu resumo pro Jalapão é que ele é BRUTO mesmo, mas LINDO! E, podendo, fujam dos feriados e reservem mais tempo para a viagem, aproveitando também as Serras Gerais, que têm tanto ou mais atrativos que o Jalapão.

DICAS:

- Viajei com uma agência que eu não tinha referências, peguei o contato na Internet e encarei – Rota da Iguana. Não recomendo de jeito nenhum. Seguem alguns problemas que tivemos: carro muito detonado (ar condicionado ruim, chove dentro porque as borrachas das portas estão soltas, tivemos problemas mecânicos, etc); apesar de estar incluso no pacote não serviram os lanches das trilhas; a pior parte, os guias não são guias, são motoristas, não têm nenhum preparo para encarar dificuldades e não conhecem nada da flora, fauna, histórias locais, geografia, topologia; os contatos por email também são confusos, incompletos em termos de informações.

- Conhecemos outras agências durante a viagem, mas a única que indico é a Calliandra Ecoturismo, do Júnior. Procurem no Facebook, não achei nenhum site. O Júnior é ‘O cara’!! Conhece tudo da região, está envolvido com vários projetos legais, e ainda por cima, foi o cara que socorreu a gente, além de ter promovido a programação mais completa para os clientes dele.

- A infraestrutura da região é bem simples, e complica nos feriado, tanto para comer, quanto para hospedagens. É bom se preparar e conferir as reservas, neste caso.

- Apesar de os guias me dizerem que haviam desmarcado o meu táxi da volta, para que eu voltasse com a galera, o FDP do motorista da ida foi atrás de mim no aeroporto. Super desagradável, e sujeito mal caráter...infelizmente, acontece!

- Leve um bom repelente, mesmo com ele os mosquitos atacam!

- Sem um 4x4 é complicado fazer alguns passeios, pois há atrativos com acesso apenas por estradas de areia. Ou o motorista tem de ser bem experiente em estradas ruins/areia. A sorte é que praticamente todo mundo oferece ajuda no caso de problemas...isso, se passar alguém J!

- O Tocantins é um estado com enorme potencial para o ecoturismo. Andamos horas em estradas cercadas por vegetação intocada, muito rios, serras. Enfim, faltam profissionais capacitados para explorar de forma adequada esse paraíso!


- Para saber mais: (eu deveria ter lido antes de ir!!)



Mesmo com vários perrengues, não vale a pena esquentar...a natureza compensa tudo!!!

https://www.youtube.com/watch?v=5k7U3eyLrYs