segunda-feira, 16 de maio de 2011

Toré do Milho (14/05/2011)

Nem sempre precisamos viajar pra longe para ter novas experiências e fortalecer nossa conexão com a natureza. Hoje celebrei junto com a comunidade indígena tapuya e funí-ô do Santúario dos Pajés a festa do Espírito do Milho. Esta comunidade luta para sobreviver e manter o santuário, terra sagrada escolhida por seus ancestrais bem no centro da cidade, perto do Parque Burle Marx.
Foi uma celebração emocionante, o canto e a dança nos levam a entrar em contato com a mãe terra e agradecer não só pelo milho, mas por todos os seus frutos, inclusive por nossa própria vida.

                                           Pajé Santxiê




Tenho alguns vídeos dos cantos e danças, mas não sei editar...caso alguém queira ajudar?! Ayaya!!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Onde fica o extremo norte????

Expedição Capitão Pereira - 24/03 - 04/04/2011.

De acordo com as coordenadas do nosso amigo Capitão Pereira, lá fomos nós para a nascente do rio Uailã, na serra do Caburaí (Parque Nacional do Monte Roraima). Super aventura! AMAZONAS, guerreiros da selva, assim também fomos condecorados por ele, 86 anos de pura coragem, seu sonho é conquistar o extremo norte do país!

E o que somos sem nossos sonhos??

A aventura começa com os vôos de Cesna 206 de Boa Vista para a maloca Manalai. Uma aldeia pequena, cercada de serras e florestas. Todos os dias amanhecíamos envoltos pela neblina e com tudo coberto de orvalho. O banho gelado no rio Panari e a participação na festa da Aleluia também fizeram parte do programa.
A chegada do avião é uma festa na aldeia

Uma troca de curiosidades entre nós

Nos 3 primeiros dias da expedição ficamos na aldeia e participamos de várias celebrações: casamentos, batizados, formaturas, e muito Aleluia!!
Aleluia é a religião deles, um sincretismo de cerimônias, cantos, danças que me encantaram pela simplicidade e beleza. O tempo para eles é diferente, tem outra dimensão, e nos dias de festa era Aleluia o tempo todo...festa, dança e muito caxiri (bebida fermentada feita com o suco da mandioca brava).

Os redondos brancos são os bijús e os galões são os reservatórios de caxiri

Eu adorei os cantos do Aleluia. Os ingarikós acreditam na reencarnação, e cantam que estão no ciclo, em busca do banho de luz. A dança é feita em círculos, e a música é um mantra. Não é preciso tomar caxiri para “viajar”, se transportar e sentir uma grande paz naquele lugar.


No último dia da festa, o tuxaua (chefe da tribo) escolheu alguns índios para nos acompanhar na expedição, eles seriam nossos guias e carregadores. O problema era só que nenhum deles conhecia o caminho....pior, não havia caminho, apenas as tradições orais dos índios e nossas coordenadas geográficas!!

Na trilha levantávamos cedo e tínhamos de parar cedo, pois montar o acampamento era bem demorado: achar lugar com água, desmatar, limpar, montar a estrutura para colocar as lonas e amarrar as redes, fazer fogueira (mesmo com tudo molhado!), e de preferência ainda com luz. Além dos índios tínhamos mais um guia e um mateiro. O grupo tinha ao todo 13 participantes (4 mulheres) e mais 14 índios ingarikós.

Montando acampamento.

Saindo um rango...

Passamos por vários problemas previstos e vários imprevistos. Dentre os previstos muito, muito, muito, muito perrengue mesmo!! Travessia de rios, floresta fechada, abrir caminho na raça com os terçados (facões), e muita água: suor de dia com o esforço físico, chuva pra acompanhar, e durante algumas noites mais chuva para perturbar e molhar tudo!
Mas não era isso mesmo que a gente queria??? Pois é...divertido mesmo era com esse perrengue todo ouvir as histórias de mulher de um dos colegas e falar de comida!

Uma das travessias do rio. Punk!

Esse é um acampamento montado, hora do café da manhã.


Atravessando um curso d'água.
Passar frio e faltar comida foram alguns dos “imprevistos”, além da constante discussão sobre o caminho a seguir, pois os índios apontavam pra um lado e o GPS pra outro!!! Os índios com suas tradições orais, alguns nem falavam português, e a gente tentando achar um meio termo, pois dependíamos deles, e estávamos em seu território.

Tomanado água de cipó.

Os índios mataram essa cobra (bico de jaca) no 2° acampamento e comemos no almoço.
E eu não parava de falar: estou com fome (Iuambé uesai).

Foram cinco dias de avanço rumo à serra do Caburaí. No terceiro dia encontramos o marco BG 10, divisa do Brasil com a Guiana. Depois disso a gente já não sabia mais se estava do lado de cá ou do lado de lá da fronteira...foi muito sobe e desce de serra. No quinto dia chegamos ao cume de um monte que batizamos de Monte Mundico (1.642m), o nome do índio, pajé, que estava nos guiando. Como estávamos num ponto mais alto que o Caburaí (1.465m) tentamos avistá-lo, mas foi impossível, a selva é fechada por todos os lados, nada de vista, e na maior parte do tempo nada de ver o sol!

Marco BG 10 - fronteira Brasil-Guiana.

Pelas nossas estimativas ainda teríamos que descer essa serra e com sorte subir a próxima, que talvez fosse o Caburaí (se acertássemos a direção). Acho que precisaríamos de mais uns dois dias pelo menos para alcançar nossos objetivos – a coordenada geográfica do extremo norte do Brasil e o cume do Caburaí.
Porém tivemos de avaliar nossas condições: alguns colegas muito cansados ('wekenepanza' pra caramba virou quase um hino), pouca comida, muita discussão sobre o caminho, e os índios disseram que não seguiriam mais...resultado, não tínhamos condições de seguir em frente e era preciso retornar!


Batizado do monte Mundico - 1.642m.

Essa decisão deixou a maioria do grupo muito revoltada. Afinal, é muito esforço – treino, equipamento, viagem, estudos, família, e muito investimento em sonhos e expectativas que foram frustrados. Não é fácil, mas de qualquer forma fica um grande aprendizado, tanto na organização da expedição quanto na convivência com os colegas e com os índios.

Na volta, já começamos a contabilidade da viagem – várias unhas caídas, vários bichos de pé, alguns pegaram também pulga e piolho!!!!!!! Imaginem, levamos parte da fauna local...ainda bem que não fomos multados.

No conforto de casa fica muito mais fácil dar risadas e esquecer os perrengues. O sonho permanece, e tomara que sejamos ‘o grupo’ a realizar esta conquista daqui a um tempo.

Uma das lindas orquídeas que encontramos na selva.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Monte Caburaí – extremo norte do Brasil



Na escola a gente aprendia (ou ainda aprende?) que o Brasil vai do Oiapoque ao Chuí...mas já foi mapeado que o extremo norte do Brasil é o Monte Caburaí, e não o Oiapoque!! E é para reconhecer esta área e curtir suas belezas e aventuras que vamos tentar chegar ao topo do Caburaí.

Essa é uma expedição pioneira, que contará com a infraestrutura e logística da Roraima Adventures, e com o apoio das comunidades indígenas da região, que nos guiarão até a base do monte.
Não existem trilhas, os índios conhecem alguns caminhos que usam para caçar. Podemos esperar uma verdadeira aventura! Partimos dia 24 de março de Boa Vista, de monomotor, para a reserva indígena dos ingarikós, que usaremos de base para a expedição. Segue mais informações sobre a região:

“O ponto extremo norte do país, onde nasce o rio Uailã, impressiona pela beleza de suas corredeiras, além da fauna e flora riquíssimas. A cachoeira do Garã-garã é a mais linda de todas, com queda de 200 metros. Outro verdadeiro tesouro desta serra é uma flor que só pode ser encontrada em suas matas: a Clusia grandiflora.
O Monte Caburaí fica no município de Uiramutã, dentro do Parque Nacional do Monte Roraima. Sua altitude é de 1.465 m e faz fronteira com a República Cooperativista da Guiana. Fica a 80 km do Monte Roraima.
Em 1930, o Marechal Cândido Rondon organizou uma expedição ao Monte Caburaí e chegou a afirmar que se tratava do extremo norte do Brasil. Mesmo assim, aquelas terras permaneceram por muito tempo esquecidas. Juntamente com o Parque Nacional e a reserva indígena, é um excesso de imagens indescritíveis. São rios, cachoeiras, furnas, aves raras, entre tantos outros atrativos.” (Magno de Souza)

Acompanhem pelo blog o desenrolar desta aventura!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo!!!

Amigos aventureiros,

Mais um ano acabando...momentos que paramos e refletimos sobre o que passou e como aprender com os erros. Hora de agradecer por todas as bênçãos e partir para novas conquistas e aprendizados!

Como muitos dizem: na vida tudo tem um preço. Eu discordo, e acho que as melhores coisas da vida são aquelas que não têm preço! Por isso resolvi compartilhar com vocês um vídeo com uma mensagem bem legal para reflexão neste momento.

Rezo para que consigamos resgatar nossos valores, e espero que assim possamos construir um mundo de paz e fraternidade.

Um ótimo 2011 para todos!!!!!!!!
 

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Alter do Chão – Rio Tapajós – PA – Brasil

Isso mesmo galera, Alter do Chão não é aquela cidade de Portugal, fica logo ali, na Amazônia Paraense, e é um paraíso que precisa ser descoberto e cuidado pelos brasileiros.

Para chegar lá pegue um vôo para Santarém. Alter do Chão é um distrito, uma vila, ainda muito pequena para maioria dos turistas, mas para quem gosta de paraísos, e sabe que quanto menos acessível melhor, já está de bom tamanho!


Vista da Ilha do Amor em Alter, do morro da Piraoca

De Santarém é possível ir de barco, carro ou ônibus para Alter do Chão, que fica a aproximadamente 20 Km do aeroporto. A estrada que liga as cidades é muito boa, e dela temos acesso para outros pontos de interesse, praias, vilas e para a Floresta Nacional do Tapajós.

Na vila existem várias opções de acomodação, a maioria simples. É possível escolher uma pousada mais ecológica e sofrer um pouco com o calor e com os insetos, ou um hotel mais sofisticado com ar condicionado.
Nesta região é impossível não “morrer de calor”, umidade de 100% o tempo todo! É importante beber muita água ;)

O que fazer???? Praias, muitas praias e mais praias nesta época do ano.

O Rio Tapajós começa a baixar em junho e elas aparecem em toda a sua margem. A vista aérea do vôo de Manaus para Santarém é um espetáculo à parte, é possível ver toda a floresta banhada pelo Amazonas e depois pelo Tapajós, com suas milhares de praias de areia branca! É lindo!!!


Existem muitas opções de passeios de barco, mas também dá pra economizar muito indo para alguns destinos com carro ou ônibus! Esse tipo de informação você não consegue na vila...que explora os serviços de barco, principalmente nesta época.

Alguns passeios imperdíveis são:
1.   Pôr-do-sol na Ponta do Cururu: neste horário os botos rosa e tucuchi aparecem para nadar e comer nesta linda praia, eles são um espetáculo à parte! Sobre o pôr-do-sol, Alter do Chão tem um dos mais belos que já presenciei, todos os dias é hora de parar e curtir e celebrar o pôr-do-sol nesse paraíso.



2.   Passeio de barco pelo canal do Jari: o Jari é uma área de várzea, onde é possível ver a mistura das águas barrentas do Amazonas com as águas transparentes do Tapajós. É uma região onde é possível avistar muitos bichos – aves, jacarés, preguiças, botos, etc.
3.   Rio Arapiuns: seguindo à esquerda do Jari (descendo o Tapajós) fica o Arapiuns, um dos rios mais bonitos da região, que banha algumas comunidades que vivem do extrativismo e da produção artesanal com a palha de tucumã. Este é um passeio de pelo menos 2 dias, podendo aproveitar e passar pelo Jari, e não é barato! Quanto mais dias mais caro, mas mais lugares bonitos aparecem para nosso encanto!

Uma das praias de Urucureá, onde dormimos no barco

4.   FLONA – Floresta Nacional do Tapajós: área de preservação onde é possível fazer trilhas pela floresta, conhecer várias espécies, ouvir as histórias das comunidades caboclas, tomar muitos banhos nas praias e igarapés da região.

FLONA – em Jamaraquá, eu e uma samaúma


Essa é uma viagem para se integrar totalmente com a natureza, se entregar às belezas dessa região do Brasil que precisa ser conhecida, respeitada e preservada por todos! As riquezas da Amazônia são inúmeras e não estão apenas nos recursos minerais, espécies endêmicas ou na produção do oxigênio para o planeta. Comunidades indígenas não existem mais na região, as queimadas são constantes (principalmente nesta época), a retirada de madeira e de espécies raras ainda acontece e é fácil ver isso por lá, o lixo já está em toda parte. Precisamos conhecer, entender o contexto social, as necessidades locais de desenvolvimento e buscar soluções que preservem os valores, a cultura e que dêem sustentabilidade para um desenvolvimento sem a destruição deste patrimônio.

Em Urucureá, cabocla tecendo com a palha de tucumã



Algumas dicas para organizar sua programação:
- Passeios personalizados: http://www.borabrasil.com.br/, Marcos Abreu
- Agência de ecoturismo: http://www.areiabrancaecotour.com.br/, Neila Garcia
- Para ficar na FLONA, em Jamaraquá, abrigo e refeições com a Dona Conceição: 93 9134 7637 (é possível ir de ônibus saindo de Santarém!!!!!)
- Passeios de barco direto com o 'comandante' Sr Gilberto: boanares@hotmail.com - 93 9129 6701.

Apesar de passar os contatos direto recomendo fortemente sempre estar acompanhado dos guias locais, que têm muita informação, cultura e histórias para nos contar ;). Aproveitem!!


sábado, 4 de setembro de 2010

O bicho da montanha

Como amante da natureza, sou bicho do mato! Há algum tempo, quando comecei a fazer altas montanhas, me perguntaram se eu gostava mesmo disso, se iria continuar, pois neste caso eu havia sido picada pelo 'bicho da montanha'...e foi o que aconteceu. Tenho procurado a cada ano conhecer novas montanhas, e aprender muito com elas.

A ideia deste blog é reunir amantes da natureza, independente de gostarem ou não de montanhas. Gente que gosta de praticar atividades físicas, relaxar, respirar e se inspirar com a natureza! não importa o destino, ou a aventura: mar, rio, terra, ar, mato, cerrado, VAMOS!!










Caso se interessem por viagens de aventura, escrevam. Podemos localizar quem já se aventurou, como foi a experiência, e quem sabe, juntar novos amigos para mais uma aventura?




Ecoturismo - Alter do Chão

Na estrada de novo! agora um descanso, para o corpo e para a alma!

Vou para Alter do Chão no período de 25/set a 02/out. Quem tiver dicas de como aproveitar ao máximo esse paraíso por favor me informem! todas as dicas são bem vindas!